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28/08/2009 - 14:36 - Material para Estudo - Assembléia do povo de Deus 2009

CNBB / REGIONAL SUL II

COORDENAÇÃO DA ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA

 

 

 

A INICIAÇÃO CRISTÃ

 

O presente texto ressalta alguns aspectos do processo de Iniciação Cristã no Diretório Geral para a Catequese e do Documento de Aparecida. Além destes destaques, oportuniza também a leitura dos números 35 a 38 do Diretório Nacional de Catequese.

 

O Dinamismo da Evangelização através da Iniciação Cristã

 

Os números que se seguem, ressaltam a importância e o significado da Iniciação Cristã como caminho para a dinamização da Evangelização bem como o fortalecimento de nossas comunidades através da adesão a Cristo e compromisso comunitário.

 

47 - A Igreja, embora contendo em si, permanentemente, a plenitude dos meios da salvação, opera sempre de modo gradual. O decreto conciliar Ad Gentesesclareceu bem a dinâmica do processo evangelizador: testemunho cristão, diálogo e presença da caridade, anúncio do Evangelho e chamado à conversão, catecumenato e iniciação cristã, formação da comunidade cristã por meio dos sacramentos e dos ministérios. Este é o dinamismo da implantação e da edificação da Igreja.

 

48. De acordo com isso, é necessário conceber a evangelização como o processo através do qual a Igreja, movida pelo Espírito, anuncia e difunde o Evangelho em todo o mundo. Ela:

impulsionada pela caridade, impregna e transforma toda a ordem temporal, assumindo e renovando as culturas;

testemunho, entre os povos, do novo modo de ser e de viver que caracteriza os cristãos;

proclama explicitamente o Evangelho, mediante o « primeiro anúncio », chamando à conversão;

inicia na e na vida cristã, mediante a «catequese » e os sacramentos de iniciação”, aqueles que se convertem a Jesus Cristo, ou aqueles que retomam o caminho de sua seqüela, incorporando os primeiros na comunidade cristã e a ela reconduzindo os demais;

alimenta constantemente o dom da comunhão  nos fiéis, mediante a educação permanente da (homilia, outras formas do ministério da Palavra), os sacramentos e o exercício da caridade;

suscita continuamente a missão, enviando todos os discípulos de Cristo a anunciarem o Evangelho, com palavras e obras, em todo o mundo.

 

51. As principais funções do ministério da Palavra são as seguintes:

Convocação e chamado à

É a função que mais imediatamente se deduz do mandato missionário de Jesus. Realiza-se mediante o « primeiro anúncio », dirigido aos não crentes: aqueles que fizeram uma opção de não crença, os batizados que vivem às margens da vida cristã, os praticantes de outras religiões. O despertar religioso das crianças, nas famílias cristãs, é também uma forma eminente desta função.

 

A iniciação

Aqueles que, movidos pela graça, decidem seguir Jesus, são « introduzidos na vida religiosa, litúrgica e caritativa do Povo de Deus ». A Igreja realiza esta função, fundamentalmente por meio da catequese, em estreita relação com os sacramentos da iniciação, tanto se estes devem ser ainda recebidos quanto se já o foram. Formas importantes são: a catequese dos adultos não batizados, no catecumenato; a catequese dos adultos batizados que desejam retornar à , ou daqueles que têm necessidade de completar a sua iniciação; a catequese das crianças e dos mais jovens, que por si só, já tem um caráter de iniciação. Também a educação cristã familiar e o ensino escolar da religião exercem uma função de iniciação.

 

– A educação permanente à

Em diversas regiões, ela é chamada também de « catequese permanente ». Dirige-se aos cristãos iniciados nos elementos de base, que têm necessidade de alimentar e amadurecer constantemente a sua , durante toda a vida. É uma função que se realiza através de formas muito variadas: « sistemáticas e ocasionais, individuais e comunitárias, organizadas e espontâneas, etc. ».

 

– A função litúrgica

O ministério da Palavra compreende também uma função litúrgica, uma vez que, quando ele se realiza no âmbito de uma ação sacra, é parte integrante da mesma. Ele se exprime de maneira eminente através da homilia. Outras formas são as intervenções e as exortações durante as celebrações da palavra. É preciso também fazer referência à preparação imediata aos diversos sacramentos, às celebrações sacramentais e, sobretudo, à participação dos fiéis na Eucaristia, como forma fundamental da educação da .

 

– A função teológica

Ela busca desenvolver a compreensão da , colocando-se na dinâmica da « fides quaerens intellectum », ou seja, da que procura entender. A teologia, para cumprir esta função, precisa confrontar-se ou dialogar com as formas filosóficas do pensamento, com os humanismos que conotam a cultura e com as ciências do homem. Articula-se em formas que promovem « a abordagem sistemática e a pesquisa científica das verdades da ».

 

52. São formas importantes do ministério da Palavra: o primeiro anúncio ou pregação missionária, a catequese pré e pós-batismal, a forma litúrgica e a forma teológica. Acontece, com freqüência, que tais formas, por circunstâncias pastorais, devam assumir mais de uma função. A catequese, por exemplo, junto à sua função de iniciação, deve exercitar, freqüentemente, tarefas missionárias. A própria homilia, de acordo com as circunstâncias, será conveniente que assuma as funções de convocação e de iniciação orgânica.

 

58. A evangelização do mundo tem diante de si um panorama religioso muito diversificado e mutável, no qual se podem distinguir fundamentalmente « três situações » que requerem respostas adequadas e diferenciadas.

a) A situação daqueles « povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo e o seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas para poderem encarnar a no próprio ambiente e anunciá-la a outros grupos ». Esta situação postula a « missão ad gentes » com uma ação evangelizadora centrada, preferivelmente, nos jovens e adultos. A sua peculiaridade consiste no fato de que se dirige aos não cristãos, convidando-os à conversão. A catequese, nesta situação, desenvolve-se ordinariamente no interior do Catecumenato batismal.

 

b) Existem, além disso, situações nas quais, num determinado contexto sociocultural, estão presentes, de maneira muito significativa, « comunidades cristãs que possuem sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são fermento de e de vida, irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso da missão universal ». Estas comunidades necessitam de uma intensa « ação pastoral da Igreja », visto que são constituídas por pessoas e famílias com um profundo senso cristão. Em tal contexto, é necessário que a catequese às crianças, adolescentes e jovens desenvolva verdadeiros processos de iniciação cristã bem articulados, que lhes permitam aceder à idade adulta com uma madura que, de evangelizados, os transforme em evangelizadores. Mesmo nessas situações, os adultos são destinatários de modalidades diversas de formação cristã.

 

c) Em muitos países de tradição cristã e, às vezes, também nas Igrejas mais jovens, existe uma « situação intermédia », onde « grupos inteiros de batizados perderam o sentido vivo da , não se reconhecendo já como membros da Igreja e conduzindo uma vida distante de Cristo e do Seu Evangelho ». Esta situação requer uma « nova evangelização ». A sua peculiaridade consiste no fato de que a ação missionária se dirige aos batizados de todas as idades, que vivem num contexto religioso de referências cristãs, percebidos apenas exteriormente. Nesta situação, o primeiro anúncio e uma catequese de base constituem a opção prioritária.

 

 A Catequese a serviço da Iniciação Cristã

63. A Exortação apostólica Catechesi Tradendae, colocando a catequese no âmbito da missão da Igreja, recorda que a evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica, que compreende « momentos » essenciais e diferentes entre si. E acrescenta: « A catequese é... um desses momentos — e quanto ele há de ser tido em conta! — de todo o processo da evangelização ». Isto significa que há ações que « preparam » a catequese, e ações que « derivam » da catequese.

O « momento » da catequese é aquele que corresponde ao período em que se estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para aquela primeira adesão. Os convertidos, mediante « um ensinamento e um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda a vida cristã », são iniciados no mistério da salvação e num estilo de vida evangélico. Trata-se, de fato, de « iniciá-los na plenitude da vida cristã ».

 

64. Ao realizar, de diferentes formas, esta função de iniciação do ministério da Palavra, a catequese lança os fundamentos do edifício da . Outras funções deste ministério construirão depois os diferentes andares desse mesmo edifício.

A catequese de iniciação é, assim, o elo necessário entre a ação missionária, que chama à , e a ação pastoral, que alimenta continuamente a comunidade cristã. Não é, portanto, uma ação facultativa, mas sim uma ação basilar e fundamental para a construção, tanto da personalidade do discípulo, quanto da comunidade. Sem ela, a ação missionária não teria continuidade e seria estéril. Sem ela, a ação pastoral não teria raízes e seria superficial e confusa: qualquer tempestade faria desmoronar todo o edifício. Na verdade, « o crescimento interior da Igreja, a sua correspondência aos desígnios de Deus, dependem essencialmente da catequese ». Neste sentido, a catequese deve ser considerada como momento prioritário na evangelização.

 

66. A catequese é, assim, elemento fundamental da iniciação cristã e é estreitamente ligada com os sacramentos de iniciação, de modo particular com o Batismo, « sacramento da ». O elo que une a catequese com o Batismo é a profissão de que é, ao mesmo tempo, o elemento interior a este sacramento e a meta da catequese. A finalidade da ação catequética consiste precisamente nisso: em favorecer uma viva, explícita e operosa profissão de . A Igreja, para alcançar esta finalidade, transmite aos catecúmenos e aos catequizandos, a viva experiência que ela tem do Evangelho, e a sua , a fim de que estes a façam própria, ao professá-la. Por isso, « a catequese autêntica é sempre iniciação ordenada e sistemática à revelação que Deus fez de Si mesmo ao homem, em Jesus Cristo; revelação esta conservada na memória

profunda da Igreja e nas Sagradas Escrituras, e constantemente comunicada, por uma « traditio » (tradição) viva e ativa, de uma geração para a outra ».

 

67. O fato de ser « momento essencial » do processo evangelizador, a serviço da iniciação cristã, confere à catequese algumas características. Ela é:

– uma formação orgânica e sistemática da . O Sínodo de 1977 sublinhou a necessidade de uma catequese « orgânica e bem ordenada », uma vez que o aprofundamento vital e orgânico do mistério de Cristo é aquilo que principalmente distingue a catequese de todas as demais formas de apresentação da Palavra de Deus.

– Esta formação orgânica é mais do que um ensino: é um aprendizado de toda a vida cristã, « uma iniciação cristã integral », que favorece uma autêntica seqüela de Cristo, centrada na Sua Pessoa. Trata-se, de fato, de educar ao conhecimento e à vida de , de tal maneira que o homem no seu todo, nas suas experiências mais profundas, se sinta fecundado pela Palavra de Deus. Ajudar-se-á, assim, o discípulo de Cristo, a transformar o homem velho, a assumir os seus compromissos batismais e a professar a a partir do « coração ».

– É uma formação de base, essencial, centrada naquilo que constitui o núcleo da experiência cristã, nas certezas mais fundamentais da e nos mais basilares valores evangélicos. A catequese lança os fundamentos do edifício espiritual do cristão, alimenta as raízes da sua vida de , habilitando-o a receber o sucessivo alimento sólido, na vida ordinária da comunidade cristã.

 

68. Em síntese: a catequese de iniciação, sendo orgânica e sistemática, não se reduz ao meramente circunstancial ou ocasional; sendo formação para a vida cristã, supera — incluindo-o — o mero ensino; e sendo essencial, visa àquilo que é « comum » para o cristão, sem entrar em questões disputadas, nem transformar-se em pesquisa teológica. Enfim, sendo iniciação, incorpora na comunidade que vive, celebra e testemunha a . Realiza, portanto, ao mesmo tempo, tarefas de iniciação, de educação e de instrução. Esta riqueza, inerente ao Catecumenato dos adultos não batizados, deve inspirar as demais formas de catequese.

 

69. A catequese de iniciação lança as bases da vida cristã naqueles que seguem Jesus. O processo permanente de conversão vai além daquilo que fornece a catequese de base. Para favorecer tal processo, é necessária uma comunidade cristã que acolha os iniciados para sustentá-los e formá-los na . « A catequese corre o risco de se tornar estéril se uma comunidade de e de vida cristã não acolher o catecúmeno num certo estágio da sua catequização ». O acompanhamento que a comunidade exercita em favor do iniciado, transforma-se em plena integração do mesmo na comunidade.

 

72. É de fundamental importância que a catequese de iniciação para adultos, batizados ou não, a catequese de iniciação para crianças e jovens e a catequese permanente sejam bem conexas no projeto catequético da comunidade cristã, a fim de que a Igreja particular cresça harmoniosamente e a sua atividade evangelizadora nasça de fontes autênticas. « É importante também que a catequese das crianças e dos jovens, a catequese permanente e a catequese dos adultos não sejam domínios estanques e sem comunicação... é necessário favorecer a sua perfeita complementaridade ». A catequese: ação de natureza eclesial

 

79. A Igreja, ao transmitir a e a vida nova — através da iniciação cristãage como mãe dos homens, que gera filhos concebidos por obra do Espírito Santo e nascidos de Deus. Precisamente, « por ser nossa mãe, a Igreja é também a educadora da nossa »; é mãe e mestra ao mesmo tempo. Através da catequese, alimenta os seus filhos com a sua própria e os incorpora, como membros, na família eclesial. Como boa mãe, oferece-lhes o Evangelho em toda a sua autenticidade e pureza, o qual, ao mesmo tempo, lhes é dado como alimento adaptado, culturalmente enriquecido e como resposta às aspirações mais profundas do coração humano.

 

Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo

80. « A finalidade definitiva da catequese é a de fazer com que alguém se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo ». Toda a ação evangelizadora tem o objetivo de favorecer a comunhão com Jesus Cristo. A partir da conversão « inicial »  de uma pessoa ao Senhor, suscitada pelo Espírito Santo, mediante o primeiro anúncio, a catequese se propõe dar um fundamento e fazer amadurecer esta primeira adesão.

 

 

O catecumenato batismal: estrutura e fases

88. A , impulsionada pela graça divina e cultivada pela ação da Igreja, experimenta um processo de amadurecimento. A catequese, a serviço desse crescimento, é uma ação gradual. Uma oportuna catequese é disposta por graus. No catecumenato batismal, a formação se desenvolve em quatro etapas:

– o pré-catecumenato, caracterizado pelo fato que nele se realiza a primeira evangelização, em vista da conversão, e se explicita o « kerigma » do primeiro anúncio;

– o catecumenato  propriamente dito, destinado à catequese integral e em cujo início tem lugar a « entrega dos Evangelhos »;– o tempo da purificação e iluminação, que fornece uma preparação mais intensa aos sacramentos da iniciação, e no qual tem lugar a « entrega do Símbolo » e a « entrega da Oração do Senhor »;– o tempo da mistagogia, caracterizado pela experiência dos sacramentos e pelo ingresso na comunidade.

 

89. Estas etapas da grande tradição catecumenal, repletas de sabedoria, inspiram as fases da catequese. Na época dos Padres da Igreja, de fato, a formação propriamente catecumenal se realizava mediante a catequese bíblica, centrada na narração de História da salvação; a preparação imediata ao Batismo, por meio da catequese doutrinal, que explicava o Símbolo e o Pai Nosso, recém entregues, com suas implicações morais; e a etapa que sucedia os sacramentos de iniciação, mediante a catequese mistagógica, que ajudava a interiorizar tais sacramentos e a incorporar-se na comunidade. Esta concepção patrística continua a ser uma fonte de luz para o Catecumenato atual e para a própria catequese de iniciação.

Esta, uma vez que é acompanhamento do processo de conversão, é essencialmente gradual; e uma vez que está a serviço daquele que decidiu seguir Cristo, é eminentemente cristocêntrica.

 

O Catecumenato batismal, inspirador da catequese na Igreja

90. Dado que a missão ad gentes é o paradigma de toda a missão evangelizadora da Igreja, o Catecumenato batismal, que lhe é inerente, é o modelo inspirador da sua ação catequizadora. Por isso, é oportuno sublinhar os elementos do Catecumenato que devem inspirar a catequese atual e o significado metodológico dos mesmos. É preciso, todavia, colocar a premissa que entre os catequizandos e os catecúmenos, e entre catequese pós-batismal e catequese pré-batismal, que lhes é respectivamente administrada, existe uma diferença fundamental. Ela provém dos sacramentos de iniciação recebido pelos primeiros, os quais « já foram introduzidos na Igreja e já foram feitos filhos de Deus por meio do Batismo. Portanto, o fundamento da sua conversão é o Batismorecebido, cuja força devem desenvolver ».

 

91. Diante desta substancial diferença, consideram-se a seguir alguns elementos do Catecumenato batismal, que devem ser fonte de inspiração para a catequese pós-batismal:

– O Catecumenato batismal recorda constantemente a toda a Igreja, a importância fundamental da função da iniciação, com os basilares fatores que a constituem: a catequese e os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. A pastoral de iniciação cristã é vital para toda Igreja particular.

– O Catecumenato batismal é responsabilidade de toda a comunidade cristã. De fato, « tal iniciação cristã não deve ser apenas obra dos catequistas e dos sacerdotes, mas de toda a comunidade de fiéis, e sobretudo dos padrinhos ». A instituição catecumenal incrementa assim, na Igreja, a consciência da maternidade espiritual que ela exerce em toda forma de educação na .

– O Catecumenato batismal é todo impregnado pelo mistério da Páscoa de Cristo. Por isso, « toda iniciação deve relevar claramente o seu caráter pascal ». A Vigília pascal, centro da liturgia cristã, e a sua espiritualidade batismal, são inspiração para toda a catequese.

– O Catecumenato batismal é também, lugar privilegiado de inculturação. Seguindo o exemplo da Encarnação do Filho de Deus, feito homem num momento histórico concreto, a Igreja acolhe os catecúmenos integralmente, com os seus vínculos culturais. Toda a ação catequizadora participa desta função de incorporar na catolicidade da Igreja, as autênticas « sementes da Palavra » disseminadas nos indivíduos e nos povos.

Finalmente, a concepção do Catecumenato batismal, como processo formativo e verdadeira escola de , oferece à catequese pós-batismal uma dinâmica e algumas notas qualificativas: a intensidade e a integridade da formação; o seu caráter gradual, com etapas definidas; a sua vinculação com ritos, símbolos e sinais, especialmente bíblicos e litúrgicos; a sua constante referência à comunidade cristã...

A catequese pós-batismal, sem dever reproduzir mimeticamente a configuração do Catecumenato batismal, e reconhecendo aos catequizandos a sua realidade de batizados, deverá inspirar-se nesta « escola preparatória à vida cristã »,  deixando-se fecundar pelos seus principais elementos caracterizadores.

 

 

O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA COMO REFERÊNCIA

PARA UM PROCESSO : ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

 

129. No depósito da , juntamente com a Escritura, está contida toda a Tradição da Igreja. « As asserções dos Santos Padres atestam a vivificante presença desta Tradição, cujas riquezas se transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante ».

Em referência a tanta riqueza doutrinal e pastoral, alguns aspectos merecem atenção:

– A importância decisiva que os Padres atribuem ao catecumenato batismal na configuração das Igrejas particulares.

– A progressiva e gradual concepção da formação cristã, estruturada em etapas. Os Padres configuram o catecumenato, inspirando-se na pedagogia divina. No processo catecumenal, o catecúmeno, como o Povo de Israel, percorre um caminho para chegar à terra prometida: a identificação batismal com Cristo.

– A estruturação do conteúdo da catequese segundo as etapas daquele processo. Na catequese patrística, a narração da história da salvação tinha um papel primário. Em meados do período da Quaresma, se procedia às entregas do Símbolo e do Pai Nosso e à explicação dos mesmos, com todas as suas implicações morais. A catequese mistagógica, uma vez celebrados os sacramentos da iniciação, ajudava a interiorizá-los e a saboreá-los.

 

A Catequese dos adultos 

172. O discurso de com os adultos deve levar seriamente em consideração as experiências vividas e os condicionamentos e desafios que eles encontram na vida. As suas exigências e necessidades de são múltiplas e várias. Conseqüentemente, podem-se distinguir:

adultos crentes, que vivem coerentemente a sua opção de e desejam sinceramente aprofundá-la;

adultos que, embora batizados, não foram adequadamentecatequizados ou não levaram a termo o caminho da iniciação cristã, ou se distanciaram da , tanto que podem até mesmo ser chamados « quase catecúmenos »;

adultos não batizados, aos quais corresponde o verdadeiro e próprio catecumenato. Devem ser também mencionados os adultos que provêm de confissões cristãs que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica.

 

Tarefas gerais e particulares da catequese dos adultos

175. Para responder às instâncias mais profundas dos nossos tempos, a catequese dos adultos deve propor a cristã na sua integridade, autenticidade e organização sistemática, segundo a compreensão que dela possui a Igreja, colocando em primeiro plano o anúncio da salvação, iluminando as muitas dificuldades, pontos obscuros, mal-entendidos, preconceitos e objeções atualmente em circulação, mostrando a incidência espiritual e moral da mensagem, introduzindo à leitura crente da Sagrada Escritura e à prática da oração. Um fundamental serviço para a catequese dos adultos é fornecido pelo Catecismo da Igreja Católica e, com referência a este, pelos Catecismos dos adultos das Igrejas singulares.

Em particular, são tarefas da catequese dos adultos:

Promover a formação e o amadurecimento da vida no Espírito de Cristo ressuscitado através de meios adequados: pedagogia sacramental, retiros, direção espiritual...

Educar à justa avaliação das transformações socioculturais na nossa sociedade à luz da . Dessa maneira, o povo cristão é ajudado a discernir os verdadeiros valores e também os perigos da nossa civilização, e a assumir as atitudes convenientes.

Esclarecer as atuais questões religiosas e morais, ou seja, aquelas questões que se apresentam aos homens do nosso tempo, como, por exemplo, as relativas à moral pública e individual, às questões sociais, à educação das novas gerações.

Esclarecer as relações existentes entre a ação temporal e a ação eclesial, mostrando as mútuas distinções, implicações e, portanto, a medida da devida interação. Com este objetivo, a doutrina social da Igreja é parte integrante da formação dos adultos.

Desenvolver os fundamentos racionais da . A reta compreensão da e das verdades a se crer estão em conformidade com as exigências da razão humana e o Evangelho é sempre atual e pertinente. É necessário, por isso, promover eficazmente uma pastoral do pensamento e da cultura cristã. O que permitirá superar certas formas de integrismo e de fundamentalismo, assim como uma interpretação arbitrária e subjetiva.

Formar à assunção de responsabilidades na missão da Igreja e a saber dar um testemunho cristão na sociedade.

O adulto é ajudado a descobrir, valorizar e atuar aquilo que recebeu por natureza e por graça, seja na comunidade eclesial que vivendo no âmbito de uma comunidade humana. Dessa forma, poderá também superar as insídias da massificação e do anonimato, particularmente freqüentes em algumas sociedades atuais, que levam à perda da identidade e ao descrédito das qualidades e recursos que uma pessoa possui.

 

Formas particulares de catequese dos adultos

176. Existem situações e circunstâncias em que se impõem formas especiais de catequese:

– a catequese da iniciação cristã ou catecumenato dos adultos. Ela tem todo o seu ordenamento expresso no OICA (RICA);

– a catequese ao Povo de Deus nas formas tradicionais devidamente adaptadas, ao longo do ano litúrgico, ou na forma extraordinária das missões;

– a catequese de aperfeiçoamento, dirigida àqueles que têm uma tarefa de formação na comunidade: catequistas ou aqueles que estão engajados no apostolado dos leigos;

– a catequese a ser desenvolvida por ocasião de eventos particularmente significativos da vida, tais como o matrimônio, o batismo dos filhos e os demais sacramentos da iniciação cristã, nos períodos críticos do crescimento juvenil, na doença, etc. São circunstâncias nas quais as pessoas são, mais do que nunca, induzidas a buscar o verdadeiro sentido da vida;

– a catequese por ocasião de experiências particulares, como o ingresso no trabalho, o serviço militar, a emigração... São mudanças que podem gerar enriquecimento interior, mas também momentos de desorientamento, razão pela qual se sente a necessidade da luz e do amparo da Palavra de Deus;

– a catequese que se refere ao uso cristão do tempo livre, por ocasião, particularmente, das férias e das viagens turísticas;

– a catequese por ocasião de eventos particulares relativos à vida da Igreja e da sociedade.

Estas e tantas outras particulares formas de catequese se colocam lado a lado, sem substituí-los, aos cursos de catequese sistemática, orgânica e permanente que toda comunidade eclesial deve garantir a todos os adultos.

 

 

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DE CADA DIOCESE – IGREJA PARTICULAR -

NO PROCESSO DE INICAÇÃO CRISTÃ.

 

218. O anúncio do Evangelho e da Eucaristia são as duas colunas sobre as quais se edifica e em torno das quais se reúne a Igreja particular. Como a Igreja universal, também essa « existe para evangelizar ».

A catequese é uma ação evangelizadora basilar de toda Igreja particular. Por meio dela, a Diocese oferece, a todos os seus membros e a todos aqueles que se aproximam com intenção de entregar-se a Jesus Cristo, um processo formativo que permita conhecer, celebrar, viver e anunciar o Evangelho nos limites do próprio horizonte cultural. Desse modo, a confissão da , meta da catequese, pode ser proclamada pelos discípulos de Cristo « em nossas próprias línguas ». Como em Pentecostes, também hoje, a Igreja de Cristo, « presente e atuante » nas Igrejas particulares, « fala todas as línguas », pois como árvore que cresce, lança as suas raízes em todas as culturas.

 

A comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar

220. A catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã. A iniciação cristã, de fato, « não deve ser obra somente dos catequistas ou sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fiéis ». A própria educação permanente na é uma questão que cabe a toda a comunidade. A catequese é, portanto, uma ação educativa, realizada a partir da peculiar responsabilidade de cada membro da comunidade, num contexto ou clima comunitário, rico de relações, a fim de que oscatecúmenos e os catequizandos se incorporem ativamente na vida da comunidade.

Da fato, a comunidade cristã acompanha o desenvolvimento dos processos catequéticos, tanto com as crianças quanto com os jovens ou com os adultos, como um fato que lhe diz respeito e que a empenha diretamente.

É ainda a comunidade cristã que, ao término do processo catequético, acolhe os catecúmenos e catequizandos num ambiente fraterno « no qual eles possam viver o mais plenamente possível aquilo que aprenderam ».

 

A valiosa contribuição da FAMÍLIA.

226. O testemunho de vida cristã, oferecido pelos genitores, no seio da família, chega até as crianças envolvido em ternura e respeito materno e paterno. Os filhos se dão conta, assim, e vivem alegremente a proximidade de Deus e de Jesus, manifestada pelos genitores, de tal modo que esta primeira experiência cristã deixa, freqüentemente, uma marca decisiva, que dura por toda a vida. Este despertar religioso infantil, no âmbito familiar, tem um caráter « insubstituível ».

Esta primeira iniciação consolida-se quando, por ocasião de certos eventos familiares ou de festas, « se tiver o cuidado de explicitar em família, o conteúdo cristão ou religioso de tais acontecimentos ».  Tal iniciação se aprofunda ainda mais, se os genitores comentam e ajudam a interiorizar a catequese mais metódica, que os seus filhos maiores, recebem na comunidade cristã. De fato, « a catequese familiar precede, acompanha e enriquece todas as outras formas de catequese ».

 

O Catecumenato batismal dos adultos

256. O Catecumenato batismal é um lugar típico de catequização, institucionalizado pela Igreja para preparar os adultos que desejam tornar-se cristãos, a receber os sacramentos da iniciação. No catecumenato se realiza, efetivamente, aquela « formação específica mediante a qual o adulto, convertido à , é levado até à confissão da batismal, durante a vigília pascal ».

A catequese que se cumpre no catecumenato batismal é estreitamente vinculada à comunidade cristã. A partir do próprio momento de seu ingresso no catecumenato, a Igreja envolve os catecúmenos « com o seu afeto e os seus cuidados, como seus filhos e familiares: de fato, eles pertencem à família de Cristo... ». Por isso, a comunidade cristã ajuda « os candidatos e os catecúmenos durante todo o processo da iniciação, do pré-catecumenato ao catecumenato, ao tempo da mistagogia ».

Esta contínua presença da comunidade cristã se exprime de diversas maneiras, apropriadamente descritas no Rito de Iniciação Cristã dos Adultos. Um projeto diocesano de catequese articulado e coerente

 

A INICIAÇÃO CRISTÃ NO DOCUMENTO DE APARECIDA

A QUE SE PROPÕE A CONFERÊNCIA DE APARECIDA?

 

10. Esta V Conferência se propõe “à grande tarefa de conservar e alimentar a fé do povo de Deus e recordar também aos fiéis deste continente que, em virtude de seu batismo, são chamados a serem discípulos e missionários de Jesus Cristo”. Com desafios e exigências, abre-se passagem para um novo período da história, caracterizado pela desordem generalizada que se propaga por novas turbulências sociais e políticas, pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã e pela emergência de variadas ofertas religiosas que tratam de responder, a sua maneira, à sede de Deus que nossos povos manifestam.

 

11. A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Ela não pode fechar-se àqueles que trazem confusão, perigos e ameaças ou àqueles que pretendem cobrir a variedade e complexidade das situações com uma capa de ideologias gastas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isso não depende de grandes programas e estruturas, mas de  homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja se reconhecer com a luz e a força do Espírito.

 

12. Uma fé católica reduzida a conhecimento, a um elenco de algumas normas e de proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais das verdades da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados, não resistiria aos embates do tempo. Nossa maior ameaça “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja na qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”. A todos nos toca “recomeçar a partir de Cristo”, reconhecendo que “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva”.

 

 

 

 

As indicações da Conferência de Aparecida em relação à Iniciação Cristã.

286. São muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. Sem esquecer a importância da família na iniciação cristã, este fenômeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de aproximação deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão. Temos uma alta porcentagem de católicos sem consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã fraca e vulnerável.

 

287. Isto constitui um grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã; um desafio que devemos encarar com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada. Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora. Impõem-se a tarefa irrenunciável de oferecer uma modalidade de iniciação cristã, que além de marcar o que, dê também elementos para o quem, o como e o onde se realiza.  Dessa forma, assumiremos o desafio de uma nova evangelização, à qual temos sido reiteradamente convocados.

 

288. A iniciação cristã, que inclui o kerygma, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos e aprofundar a pessoa em seu rico sentido. A iniciação cristã propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequisados. Este catecumenato está intimamente unido aos sacramentos da iniciação: batismo, confirmação e eucaristia, celebrados solenemente na Vigília Pascal.  Teríamos que distingui-la, portanto, de outros processos catequéticos e de formação que podem ter a iniciação cristã como base.

 

289. Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo kerygma que guiado pela Palavra de Deus, que conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem166, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão.

 

290. Recordamos que o caminho de formação do cristão na tradição mais antiga da Igreja “teve sempre um caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por autênticas testemunhas”. Trata-se de uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Deste modo, a vida vem se transformando progressivamente pelos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo. Isto é o que se chama “catequese mistagógica”.

 

291. Ser discípulo é um dom destinado a crescer. A iniciação cristã dá a possibilidade de uma aprendizagem gradual no conhecimento, no amor e no seguimento de Cristo. Dessa forma, ela forja a identidade cristã com as convicções fundamentais e acompanha a busca do sentido da vida. É necessário assumir a dinâmica catequética da iniciação cristã. Uma comunidade que assume a iniciação cristã renova sua vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isto requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral.

 

292. Como características do discípulo que indica a iniciação cristã destacamos; que ele tenha como centro a pessoa de Jesus Cristo, nosso Salvador e plenitude de nossa humanidade, fonte de  toda maturidade humana e cristã; que tenha o espírito de oração, seja amante da Palavra, pratique a confissão freqüente e participe da Eucaristia; que se insira cordialmente na comunidade eclesial e social, seja solidário no amor e um fervoroso missionário.

 

293. A paróquia precisa ser o lugar onde se assegure a iniciação cristã e terá como tarefas irrenunciáveis: iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente evangelizados; educar na fé as crianças batizadas em um processo que os leve a completar sua iniciação cristã; iniciar os não batizados que, havendo escutado o kerygma, querem abraçar a fé. Nesta tarefa, o estudo e a assimilação do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos é uma referência necessária e um apoio seguro.

 

294. Assumir esta iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia. Propomos que o processo catequético de formação adotado pela Igreja para a iniciação cristã seja assumido em todo o Continente como a maneira ordinária e indispensável de introdução na vida cristã e como a catequese básica e fundamental. Depois, virá a catequese permanente que continua o processo de amadurecimento da fé, na qual se deve incorporar um discernimento vocacional e a iluminação para projetos pessoais de vida.

 

297. Os desafios que apresenta a situação da sociedade na América latina e no Caribe requerem uma identidade católica mais pessoal e fundamentada. O fortalecimento desta identidade passa por uma catequese adequada que promova uma adesão pessoal e comunitária a Cristo, sobretudo aos mais fracos na fé. É uma tarefa que incumbida a toda a comunidade de discípulos, mas de maneira especial a nós que, como bispos, temos sido chamados a servir à Igreja, pastoreando-a, conduzindo-a ao encontro com Jesus e ensinando-a a viver tudo o que Ele nos tem mandado (cf. Mt 28,19-20).

 

298. A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim “um itinerário catequético permanente”. Por isto, compete a cada Igreja local, com a ajuda das Conferências Episcopais, estabelecer um processo catequético orgânico e progressivo que se propague por toda a vida, desde a  infância até a terceira idade, levando em consideração que o Diretório Geral de catequese considera a catequese de adultos como a forma fundamental da educação na fé. Para que o povo conheça a fundo e verdadeiramente a Cristo e o siga fielmente, deve ser conduzido especialmente na leitura e meditação da Palavra de Deus, que é o primeiro fundamento de uma catequese permanente.

 

299. A catequese não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de formação integral. Portanto, é necessário cultivar a amizade com Cristo na oração, o apreço pela celebração litúrgica, a experiência comunitária, o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais. Para isso, seriam úteis alguns subsídios catequéticos elaborados a partir do Catecismo da Igreja Católica e do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, estabelecendo cursos e escolas de formação permanente aos catequistas.

 

300. Deve ser dada uma catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular. Uma maneira concreta pode ser oferecer um processo de iniciação cristã em visitas às famílias, onde não só seja comunicado elas os conteúdos da fé, mas que também as conduza à prática da oração familiar, à leitura orante da Palavra de Deus e ao desenvolvimento das virtudes evangélicas, que as consolidem cada vez mais como Igrejas domésticas. Para este crescimento na fé, também é conveniente aproveitar pedagogicamente o potencial educativo presente na piedade popular mariana. Trata-se de um caminho educativo que, cultivando o amor pessoal à Virgem, verdadeira “educadora na fé” que nos leva a nos assemelhar cada vez mais a Jesus Cristo, provoque a apropriação progressiva de suas atitudes.

 

 

Este texto é uma referência de leitura dos números extraídos dos Documentos:  Diretório Geral para a Catequese bem como do Documento de Aparecida. Os números indicados se referem de maneira explicita à Iniciação Cristã, tema proposto para a Assembléia do Povo de Deus a ser realizada na Igreja do Paraná – Regional Sul II.

 

Compilação: Pe. Nilson Caetano Ferreira

(Membro da Equipe Regional de Catequese e

do Clero da Diocese de Apucarana)

 

Inserida por: Dominique
Fonte:  CNBB - Regional Sul II
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