Integração do Movimento Serra com a Pastoral Vocacional
Pe. Carlos Alberto Chiquim
1. Introdução O membro do Movimento Serra é uma pessoa totalmente voltada para o amor à Igreja e às vocações de especial consagração. Ser Serra é uma identidade e uma missão. É, portanto, um ministério ou serviço na comunidade. Sua missão deriva da vocação fundamental de todo ser humano: chamado à vida, a desenvolver plenamente seus dons e potencialidades. É o chamado universal à santidade. O Serra pode ser qualquer pessoa: leiga, religiosa ou sacerdote. Neste tema vamos tratar especificamente do membro do Serra leigo ou leiga, cuja vocação é levar a riqueza de Cristo a todos os segmentos da sociedade: trabalho, família, escola, lazer e outros,
tendo presente a vida, a simplicidade, a generosidade e o sim de Maria em todos os momentos da vida. Em primeiro lugar veremos a missão do Serra na Igreja e no mundo e, depois, sua integração com a Animação Vocacional. Minha reflexão procurará ser muito simples e prática. Visa ser um instrumento para aqueles que querem fazer cumprir o objetivo central do Movimento Serra no Brasil: trabalhar em prol das vocações, integrados no Serviço de Animação Vocacional da Igreja, seguindo as definições da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
2. Ser Santos! Esta é a missão de todo batizado. 2.1 Santificação pessoal Ser Santos é a máxima comum á todo batizado, a todo membro de pastoral, Movimento ou Associação na Igreja. Está na essência da vocação fundamental da pessoa humana: o chamado universal à santidade. A oração diária, a participação assídua nas atividades do Movimento e o cumprimento diário da missão pessoal são as chaves da santificação de cada um. Em síntese:
• Escutar assiduamente a Palavra de Deus; • Reservar, todos os dias, o tempo necessário para um verdadeiro encontro com o Senhor através da oração e meditação; • Encontrar a cada dia, tempo para oração em família. • Dedicar, cada mês, o tempo necessário para um verdadeiro diálogo conjugal e com os filhos, sob o olhar do Senhor; • Definir um compromisso comum com a comunidade ou com os pobres; • Reservar cada ano um tempo para se colocar diante do Senhor, - se possível em casal – num retiro que nos permita refletir sobre nossa vida e organizá-la, na Sua presença. • Procurar viver plenamente a cada momento sua vida, sua vocação e sua missão. Em síntese: procurar intensamente ser feliz naquilo que está fazendo.
2.2 Oração e apoio aos sacerdotes e seminaristas: Esta é a grande meta do Movimento Serra e é por causa dela que foi fundado. Rezar pelas vocações e apoiar todas as iniciativas daqueles que são os pastores e guias do Povo de Deus.
2.3 – Procurar cumprir as diretrizes e prioridades do Movimento: Diretrizes: a) Proporcionar momentos de oração e reflexão da Palavra de Deus, pela presença de Maria, Rainha e Mãe dos vocacionados no coração da família. b) Buscar um elemento de união na família, pela participação nos sacramentos e pela Palavra de Deus. c) Manter constantemente as orações pelas vocações sacerdotais e religiosas.
Prioridades: a) Santificação de seus membros. b) Rezar e apoiar as vocações. c) Promover encontros de formação. d) Harmonizar-se com os projetos de evangelização da Igreja no Brasil.
2.4 – Promoção das Vocações de especial consagração: Ajudar no despertar de novas vocações sacerdotais e religiosas na comunidade, através da oração e promoção vocacional.
2.5 – Sentimento profundo de pertença à Igreja: a) Tomar consciência de que eu sou Igreja, faço parte e pertenço à ela, por isso a amo e sigo suas orientações. Minha comunidade é a extensão de minha família; b) Ter sempre presente que membros da Igreja, não são somente padres e bispos e sim todos os cristãos batizados: leigos, diáconos, padres, bispos, religiosos(as). c) Analisar com senso crítico quando ouço alguma acusação referente à Igreja; d) Estar sempre integrado numa comunidade paroquial, mesmo que pertenço a um grupo ou movimento específico; e) Dedicar-se de corpo e alma à missão do Movimento; f) Oferecer apoio e compreensão àqueles irmãos que ofereceram toda as suas vidas pela causa do Evangelho: sacerdotes, bispos, religiosos, religiosas e leigos consagrados. Talvez as falhas aconteçam, porque eles não têm suficiente apoio da maioria de seus irmãos: os leigos; g) Dar o máximo de si para encontrar e formar aqueles que serão os sacerdotes, religiosos e bispos de amanhã.
2.6 – Integração na Paróquia e na Diocese. O Movimento Serra deve estar profundamente ligado e integrado de maneira eficaz na Vida da Diocese. Embora o Serra tenha sua identidade própria, ele não pode agir isoladamente. Cada Serra necessita adaptar-se quanto ao seu agir pastoral, na sua realidade paroquial e
diocesana.
3. Pistas e estratégias para a animação Vocacional Quanto à equipe vocacional: • Procurar o coordenador e colocar-se à disposição • Participar das reuniões • Identificar um campo de atuação e participar das atividades: o que nosso grupo poderá fazer? • Estar atentos para poder potencializar ajuda financeira ou de equipamentos para as necessidades das casas de formação.
Quanto ao despertar vocacional: É tarefa de todo batizado despertar no coração das crianças, adolescentes e jovens o desejo de colocar sua vida à disposição dos outros. Não podemos deixar a responsabilidade de encontrar vocacionados e vocacionadas somente a uma equipe vocacional. Devemos fazer um verdadeiro mutirão vocacional. Como? Cada um no seu lugar: professor, catequista, pai, mãe, padre, religiosa, profissional liberal. Não importa qual é a nossa função. Devemos ter olhos clínicos e fazer a proposta vocacional. João Paulo II diz: Não tenhais medo de chamar.
Algumas pistas no relacionamento com os jovens: • Encontrar o jovem no ambiente que está. - conhecendo o jovem nas suas dimensões: Psicológica, sociológica e biológica; - escutando o jovem, sem preconceito, na sua realidade; - promovendo a integração e lazer (jogos, festas, shows); - visitando pessoas, entidades carentes, etc. • Despertar no jovem a se comprometer com a comunidade. • Manter contato com o jovem e sua família, respeitando suas aspirações, seu jeito de ser e expressar. - participar da atividade do jovem, - dispor dos meios que possuirmos (espaço físico, para que os jovens possam participar do meio de nossas atividades). • Semanas vocacionais, encontros, shows, gincanas, boletim informativo, prospectos, MCS, missas, retiros... • Visitas à família, do jovem à casa de formação, estágios vocacionais. • Visitas á famílias; reuniões palestras, distribuição de subsídios. • Escutar o jovem, respeitar sua dor, desilusões, bloqueios; ajudando-os no seu processo de libertação, como sujeito de sua história. • Cativar e ser cativado (confiança). • Estar com; participar com os jovens. • Perceber suas características. • conhecer o ambiente do jovem vocacionado. • inculturação do ambiente. • conhecer os diferentes carismas destes jovens. • Orientar o jovem na escolha de sua vocação através de: - diálogo, fazendo encontros, estudos discernimento. • Formação de grupos de música, festivais, gincanas, dança, teatro, retiros para jovens, favorecendo que este jovem expresse seu ser. • Proporcionar por parte de assessor dinâmicas de partilha, dinâmica de diálogo, dinâmica de entre ajuda. • Proporcionar momentos fortes de: lazer, estudos, reflexões, gincanas, dias de convivência, partilha, oração e valorização de suas potencialidades. • Despertar o engajamento na comunidade; Integrá-lo a um grupo. • Estar aberto para aprender com o jovem, em seu ambiente.
Quanto aos sinais vocacionais Sinais existenciais : - Um vocacionado deve manifestar pelo modo de ser que existe nele um processo inicial de crescimento; 1- Na dimensão humana(VF): aceitação de si e dos outros; senso de responsabilidade; posicionamento crítico diante da realidade; suficiente integração da afetividade e da sexualidade; bom uso da agressividade; capacidade de interiorização...
2 - Na dimensão Cristã (VF): a) Vivência espiritual: amor pessoal a Jesus, à Eucaristia, à Nossa Senhora, à oração; valorização da Palavra, pessoal e comunitariamente; orientação espiritual... b) Testemunho de vida: busca de coerência entre vida e vocação; comportamento adequado ao tipo de vida que quer assumir; responsabilidade nos compromissos do dia-dia: estudo, trabalho, atividades; desejo do “mais” em tudo...
c) Engajamento apostólico: estar comprometido com uma atividade pastoral concreta, na comunidade; servir; amor à Igreja, aos Pastores e tendo uma dedicação especial pelos mais pobres, assumindo os riscos que isso comporta; alegria na doação; capacidade de reflexão e de revisão...
3 - Na dimensão vocacional específica(VE);suficiente certeza interior do chamado para vocação. Alguns sinais: • Atração pela vocação desejada; • Interesse sincero e constante por ela; • Clareza, segurança e alegria diante dela; • Força em superar as dificuldades e os desafios na sua realização; família, trabalho, estudos, bens, apegos, críticas, discriminação, tentação... • Satisfação global por estar a pessoa acertando na escolha, apesar de dificuldades previstas ou já experimentadas. obs: • É necessário que haja a presença simultânea da maioria destes sinais - pelo menos de maneira incipiente - para ter clareza de uma vocação autêntica, em processo de crescimento. • Estes sinais podem co-existir com fraquezas e limitações. O vocacionado, porém, é sempre alguém que deseja o “mais” e nunca é uma pessoa acomodada. • Prestar sobretudo atenção aos sinais da dimensão específica por que eles definem existencialmente o chamado pessoal: vocação laical, sacerdotal, religiosa, missionária.
Sinais que costumam estar presentes no vocacionado. 1- Sensibilidade diante das necessidades e sofrimentos dos outros. Abertura e disponibilidade para servir os empobrecidos e marginalizados. Amor à justiça. 2- Empenho em descobrir e encontrar o sentido profundo da vida, do trabalho e do amor. 3- Criatividade nos relacionamentos interpessoais, na vida, no apostolado. 4- Firmeza nas convicções e nas decisões. Saber dizer sim ou não, quando for necessário, para ser fiel aos valores evangélicos. 5- Liderança para criar comunidade, animando, apoiando, responsabilidade. O líder busca sempre o que é importante para a comunidade e valoriza os talentos de cada um. 6- Idealismo, desejando ir além do presente e do que se vê. Cultivar ideais capazes de suscitar gestos corajosos em favor dos outros. Sonhar com dias melhores. Ter vontade de anunciar e testemunhar os valores do Evangelho. 7- Experiência espiritual como descoberta existencial de Deus pai que nos ama; grande afeição ao Senhor Jesus; abertura ao Espírito; amor e confiança em Nossa Senhora. 8- Alegria – condição essencial para alguém que quer doar-se aos outros.
c) - Condições Gerais • saúde física e psíquica: ausência de problemas graves; • desenvolvimento intelectual: rendimento escolar; • idoneidade moral: valores e critérios de comportamento.
*Palestra Congresso Sacerdotal Serra Integração da Comunidade Serra com a Pastoral Vocacional.
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