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18/07/2006 - 10:41 - Assistente Eclesiástico do Movimento Serra

O Assistente Eclesiástico do Movimento Serra

 

Pe. Carlos Alberto Chiquim

1 - Introdução
1.1 retrato do padre
"Um padre deve ser, ao mesmo tempo, pequeno e grande, de espírito nobre, com sangue real, simples e espontâneo como um lavrador, um herói no domínio de si, um homem que lutou com Deus, uma fonte de santificação, um pecador que Deus perdoou, senhor de seus desejos, um servidor humilde para os tímidos e fracos, que não se rebaixa diante dos poderosos mas se curva diante dos pobres; discípulo de seu Senhor, chefe de seu rebanho; um mendigo de mãos largamente abertas, um portador de inúmeros dons,
um homem no campo de batalha; uma mãe para confortar os doentes, com a sabedoria da idade e a confiança de um menino; voltado para o alto, os pés na terra... feito para a alegria, experimentado no sofrimento, imune a toda inveja, que se vê longe... que fala com franqueza, um inimigo da preguiça, uma pessoa que se mantém sempre fiel" (de um manuscrito medieval).

1.2 Objetivo das diretrizes
Estas diretrizes pretendem ser um instrumento de ajuda e um ponto de referência para a ação pastoral dos Assistentes Eclesiásticos do Movimento Serra. Sabemos que o papel do assistente é fundamental
para a vitalidade do grupo e, conscientes disso, elencamos uma série de sugestões práticas.

Mais do que normas jurídicas, estas Diretrizes e sugestões poderão servir de guia aos sacerdotes que foram escolhidos e aceitaram acompanhar a caminhada do Movimento Serra. Elas também poderão
garantir união de esforços, comunhão, fraternidade entre os Assistentes Eclesiásticos.

Visando subsidiar os assistentes, neste trabalho apresentamos algo sobre a natureza e os objetivos do Movimento Serra e, na sequência, o texto trás um conteúdo sobre o sacerdócio e sua missão;
algumas orientações no campo vivencial do Serra e, finalmente, linhas de ação, pistas para atividades concretas.

2 - Pressupostos
Conhecer a estrutura do Movimento Serra é fundamental para que alguém possa acompanhá-lo mais de perto. Com essa finalidade, desenvolvemos dois aspectos importantes: a natureza e o objetivo do Movimento.

2.1 Natureza do Movimento Serra
No seio da Igreja Católica encontramos um rico tesouro de manifestações entre seus fiéis. As pastorais, associações, movimentos de espiritualidade e outras formas de vivência da fé são criações livres do Espírito Santo, que é sempre surpreendente pois "sopra onde quer" (Jo 3,8). O Movimento Serra surgiu com a finalidade de rezar pelas vocações e apoiar as iniciativas que visem despertar as vocações de especial consagração. Devido à sua importância e à ação do Espírito, o Serra está presente num grande número de dioceses do Brasil e em muitos países. A característica central do Movimento é a de ser constituído por leigos católicos: casais, homens, mulheres e jovens.

O Movimento Serra é por excelência um movimento de apoio às vocações. Está inserido na pastoral vocacional
da Igreja e a ela dedica o seu serviço. Os seus membros assumem a missão de colaborar na formação de uma cultura vocacional, compreendendo que esta missão pertence a todo batizado.

Devido à sua natureza, está agregado à Pontifícia Obra das Vocações, da Congregação para a Educação Católica, em Roma.

Objetivos do Movimento Serra
Investir na santificação e formação dos seus membros, para que sejam maduros na fé, realizados em sua vocação e atuantes na comunidade, através de cursos, reuniões, leituras, dias de formação, retiros espirituais...

Promover, despertar, e apoiar as vocações na família, na comunidade, na escola e outros ambientes específicos, através da oração, encontros, palestras...

Trabalhar em conjunto com as comunidades eclesiais, os movimentos, as pastorais, e outros grupos de vivência da fé, para que percebam que o despertar vocacional é prioridade na Igreja.

Formar e manter, entre os membros do Movimento, um ambiente propício e cristão para verdadeiras amizades, alegria, cordialidade e companheirismo.

Integrar-se na equipe da pastoral vocacional diocesana através da participação assídua e da colaboração
efetiva.

Procurar estar sempre disponível para colaborar com o Seminário Diocesano em comunhão com a equipe de formadores.

Ajudar os seminário na manutenção dos seminaristas.

3. O Assistente Eclesiástico
O assistente eclesiástico desempenha papel fundamental na organização do Movimento Serra. Sua primeira missão é fazer com que os membros do Movimento tenham um encontro pessoal com Jesus Cristo e sejam seus seguidores. A sua presença assídua, afetiva e efetiva garante a continuidade, a perseverança dos membros e a fidelidade às origens e ao carisma. Faz parte da essência do Movimento, o amor especial pelos sacerdotes e, por esse motivo, o assistente é o pastor solícito, amigo e companheiro, sinal visível da presença de Cristo. Vale a pena recordar alguns aspectos essenciais da vida do presbítero: "O padre é um homem apaixonado pelo povo e pelo seu ministério. Deve carregar em seu âmago uma chama que arde, ser o portador de um fogo que ele anseia que "se alastre sobre a terra" (Lc 12,49). Seu agir pastoral deve estar centrado num amor ardoroso, fundamentado em Cristo, Bom Pastor. Por amor a Jesus, o padre se dedica de corpo e alma ao seu rebanho. Paulo nos diz: "somos servos por amor de Jesus" (2Cor 4,5) e também: "de muito bom grado gastarei tudo e me desgastarei a mim mesmo em favor de vós" (2Cor 12,15). O presbítero é chamado
a ser antes de tudo o que é: um "homem de Deus" (1Tm 6,11). Um homem que vive profundamente imerso no mistério trinitário: abandonado e inteiramente disponível à vontade do Pai; empenhado no seguimento de Jesus e no prosseguimento do seu evangelho através da prática da caridade pastoral; conduzido pela liberdade do Espírito numa vida de comunhão e esperança".( Novo Milênio Novo Presbítero).

3.1 - Presbítero, homem entusiasta;
O assistente eclesiástico deve ser um homem entusiasta, que irradie esperança e que demonstre em sua vida, o testemunho alegre e feliz de alguém que está vivendo plenamente a sua vocação. A exortação apostólica de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi destaca: "Conservemos o fervor do espirito, portanto; conservemos a suave
e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! Que isto constitua para nós - como para João Batista, para Pedro e para Paulo, para os outros apóstolos e para uma multidão de admiráveis evangelizadores no decurso da História da Igreja - um impulso interior que ninguém nem
nada possam extinguir. Que isso constitua, ainda, a grande alegria das nossas vidas consagradas. E que o mundo do nosso tempo que procura, ora na angústia, ora com esperança, possa receber a Boa Nova
dos lábios, não de evangelizadores tristes e desanimados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo, e
são aqueles que aceitaram arriscar a sua própria vida para que o Reino seja anunciado e a Igreja seja implantada no meio do mundo" (EN n. 80).

3.2 - Presbítero, homem do testemunho e da partilha:

Os fiéis cristãos leigos têm necessidade de orientadores fiéis e assíduos, de testemunhas que sejam sinais da presença de Deus no meio da sociedade, de pastores que sejam portadores de palavras de esperança e encorajamento. O assistente eclesiástico é o incentivador nato, alguém que acolhe, ensina, santifica,
mostra o caminho, reacende os sonhos, ensina a partilhar. Vale recordar o episódio narrado em Lc 24,13-35, envolvendo os dois discípulos que retornavam, tristes, a Emaús, depois de terem assistido ao sepultamento de suas esperanças no túmulo onde já, há três dias, jazia morto aquele que, segundo a sua ótica, deveria resgatar Israel...

O estranho aproxima-se, é acolhido e começa a explicar-lhes as escrituras. Do acolhimento brota o conhecimento, do conhecimento a alegria e da alegria a partilha da casa e do pão: "sentaram-se
juntos à mesa....não se nos abrasava o coração". É na mesa que os discípulos reconheceram Jesus: os de Emaús e os pescadores. Foi ao redor da mesa que Jesus instituiu a Eucaristia e é ao redor da mesa que acontece a fraternidade: símbolo da nova aliança e o pão partido e servido à mesa da hospitalidade e do acolhimento. A esta altura, entrelaçam-se as duas expressões de comunhão que Lucas aponta como lugar
de encontro do Ressuscitado: a hospitalidade e a comunhão de mesa. "Fica conosco" parece fazer ressoar aqui os ecos longínquos da hospitalidade de Abraão: "Meus Senhores, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis adiante sem vos deterdes em casa de vosso servo. Vou buscar um pouco de água para vos lavar
os pés. Descansai um pouco sob este árvore. Eu vos trarei um pouco de pão..." (Gn 18,3-5).

4. Quem deve ser o Assistente:
O Movimento Serra, pela sua natureza, demostra profunda comunhão e fidelidade à Igreja e, numa diocese, está intimamente ligado ao seu bispo diocesano. Sua missão é despertar e apoiar as vocações de especial consagração e, na maioria das dioceses, participa ativamente na vida do seu Seminário. Existem grupos que são paroquiais e outros que abrangem pessoas de toda diocese. Pelos motivos citados, o ideal é que o Assistente
Eclesiástico seja um padre diocesano, ligado ao seminário e à pastoral Vocacional. Isto garante a fidelidade ao objetivo do movimento e a inserção na vida orgânica da diocese. Lembramos, porém, que muitos Serra estão sendo acompanhados por assistentes religiosos, religiosas e diáconos. A eles nós prestamos nossa gratidão.

5. Orientações:
Visando subsidiar os Assistentes Eclesiásticos para a missão junto ao Movimento Serra, elencamos uma série de orientações que poderão tornar o seu trabalho mais eficaz:

Para que o Movimento Serra cumpra sua missão e esteja integrado na vida da diocese e na pastoral orgânica, o ideal é que o Assistente Eclesiástico seja um presbítero do clero diocesano e esteja integrado no processo formativo ou na equipe da Pastoral Vocacional. Quando isto não é possível, o assistente do clero religioso procure despertar seus membros para a vivência da diocesaneidade.

Participar ativamente em todas as reuniões e orientar palestras formativas, seguindo um programa previamente estabelecido. Muitos grupos iniciam seu encontro com a celebração da Eucaristia. Quando, por motivo de força maior, o assistente não puder participar, o grupo poderá fazer uma celebração da palavra e convidar um palestrista para desenvolver o tema escolhido.

Proporcionar aos membros do Movimento Serra formação humana, moral e espiritual permanente, através de sua presença e palavra amiga, das homilias e palestras e, principalmente, do seu testemunho pessoal.

Organizar, em comunhão com a diretoria, um programa de formação a longo prazo desenvolvendo, em cada reunião, um tema específico. Convêm lembrar que os temas relacionados à teologia da vocação, ministérios, pastoral vocacional e pastorais afins: família, catequese, adolescentes e jovens são fundamentais
para o Movimento Serra. Para poder atuar em conjunto com a Pastoral Vocacional é necessário que os membros tenham boa formação na temática vocacional.

Incentivar os membros do Serra a viver a mística cristã e a buscar a santificação, através do encontro
pessoal com o Senhor ressuscitado, da oração pessoal e comunitária, da leitura orante da Palavra de Deus , da vivência sacramental, da participação assídua nas atividades e do cumprimento diário da missão pessoal. Está

na essência da vocação fundamental o chamado universal à santidade.

Procurar criar um ambiente sadio, de relacionamento fraterno e solidário, despertando para a entre-ajuda, o companheirismo e a amizade. Os membros do Movimento Serra devem ser incentivados a abrir-se para a comunidade e a ter uma relação mais próxima com os seminaristas, sacerdotes, religiosos e religiosas.

Acompanhar a caminhada do Serra local, com todas as suas lutas e desafios, com suas alegrias e tristezas enfrentadas, dando atenção personalizada aos seus membros, principalmente nos momentos de crise e de sofrimento.

Colaborar para que o Movimento Serra trabalhe em comunhão com a Pastoral Vocacional diocesana e, como consequência, haja um crescimento das equipes vocacionais e do número de Serras na Diocese.

Promover e criar um ambiente que favoreça o despertar de verdadeiras vocações. Por isso, reafirmar e revigorar o valor e a importância do matrimônio, das vocações de especial consagração e lembrar sempre, a todos, a defesa da família e de seus valores que vêm sendo agredidos e desprezados.

Integrar o Movimento Serra na catequese crismal e juventude.
Conscientizar os presbíteros da diocese para que tenham a Pastoral Vocacional em suas paróquias a fim de suscitarem candidatos ao seminário.

Despertar nos membros do Serra sentimento de amor e pertença à Igreja: desenvolver em cada um a consciência de que ele é Igreja, faz parte e pertence à ela, por isso a ama e segue suas orientações; estar sempre integrado numa comunidade paroquial, mesmo que pertença a um grupo ou movimento específico; dedicar-se de corpo e alma à sua missão; oferecer oração, apoio e compreensão àqueles irmãos que ofereceram toda as suas vidas pela causa do Evangelho: sacerdotes, bispos, religiosos, religiosas e leigos consagrados.

6 – Linhas de ação:
Neste item destacamos algumas sugestões para o trabalho pastoral que o Assistente poderá sugerir como atividade concreta para o Movimento Serra. Não significa que o Assistente tenha que executar estas tarefas, mas, motivar os membros do movimento a assumir como resposta ao seu chamado. A experiência tem mostrado que o Serra cresce e se fortalece muito mais quando exerce alguma atividade pastoral significativa. As sugestões abaixo são pistas concretas de ação:

Procurar inserir o Serra na equipe da Pastoral Vocacional paroquial e diocesana e colocar-se à disposição da coordenação para participar de sua programação.

Programar e participar em missas vocacionais nas comunidades e paróquias. Conversar com os párocos e pedir espaço para transmitir mensagens à comunidade. A liturgia bem preparada e celebrada é fonte fecunda de novas vocações.

Incentivar, nas paróquias, onde não existe pastoral vocacional organizada, o interesse em se iniciar o processo. Um bom começo será convidar um casal ou alguns representantes das pastorais e movimentos.

Promover atividades no campo da oração pelas vocações: terço vocacional, hora santa, celebrações da
palavra...

Procurar desenvolver alguma atividade concreta no campo pastoral. Atividades que têm sido muito positivas e que colaboram no despertar de novas vocações são: trabalho com coroínhas ou acólitos; atvidades com adolescentes e jovens, palestras e testemunhos vocacionais nas escolas; participação efetiva nos encontros vocacionais promovidos pela equipe diocesana... O jovem se faz sensível ao chamado vocacional na medida em
que é capaz de interrogar-se sobre o sentido de sua vida. Os grupos vocacionais, as casas da juventude, as comunidades de acolhida, as experiências de trabalho missionário e outras iniciativas semelhantes colaboram com o despertar vocacional permitindo ao jovem responder a suas inquietudes.

Colocar-se à disposição da equipe de formação do Seminário Diocesano e colaborar com ela naquilo que for solicitado: presença no seminário; colaboração nos encontros vocacionais; participação nas ordenações;

 

visita às famílias dos seminaristas; desenvolver alternativas de colaboração financeira...

Utilizar os Meios de Comunicação Social que estiverem ao seu alcance para transmitir mensagens vocacionais e a filosofia do Movimento Serra: boletins paroquiais, jornais da cidade, correio eletrônico, programas de rádio, missas e programas de televisão. Cada vez mais os Meios de Comunicação Social se convertem em escola alternativa. A Igreja está desafiada a utilizá-los como instrumentos indispensáveis na apresentação de valores que favoreçam o surgimento de uma cultura propícia às vocações. Para tanto deverá utilizar a linguagem, sinais e símbolos próprios desses meios de comunicação.

Levar a mensagem vocacional e do Serra nos ambientes extra-eclesiais, principalmente no lugar de trabalho e de convivência de cada membro. Sugestões para isso são: colocar cartaz vocacional, entregar alguma mensagem por escrito, usar o distintivo, falar com as pessoas sobre o Serra e sobre vocação, convidar novos membros, estar atento para descobrir sinais vocacionais nos jovens e adolescentes com os quais convive...

Buscar integração com os demais movimentos e pastorais, principalmente: Pastoral da Juventude, Familiar e Catequética, na certeza de que, a Igreja, educadora da fé, oferece às crianças, adolescentes, jovens e adultos um itinerário, uma apresentação do Evangelho da vocação, uma possibilidade de desenvolver um encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado.

Procurar chamar adolescentes e jovens para seguir a vocação de especial consagração. O chamado direto e pessoal feito em nome da Igreja é indispensável e decisivo para o despertar vocacional, conforme as palavras fortes e insistentes do Papa João Paulo II em sua primeira carta para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações: "... não tenhais receio de chamar. Descei para o meio de vossos jovens. Ide pessoalmente ao encontro deles e chamai. Nós devemos chamar. O resto o Senhor fará."

7 – Conclusão
Muitos movimentos, organismos e pastorais preocupam-se com as vocações na Igreja, porém, o Movimento Serra tem sua atenção centrada só neste objetivo: rezar pelas vocações e despertar para a Igreja muitos ocacionados, principalmente para o sacerdócio. É por esse motivo que o Papa João Paulo II assim se xpressou: "O Serra é a única organização da Igreja que se dedica exclusivamente ao trabalho vocacional. Por isso peço a vocês que se dediquem com sempre maior empenho no cumprimento dos objetivos do Movimento".

A igreja está tomando consciência de que a dimensão vocacional é algo de extrema importância na vida das comunidades. Toda a atenção dos pastores e líderes das comunidades é de se criar um processo de amadurecimento da fé em seus membros, gerando uma cultura vocacional. Esperamos que essas diretrizes possam colaborar para uma mais fecunda ação pastoral junto ao Movimento Serra. Deus abençoe a todos e que Maria, Rainha e Mãe dos Vocacionados seja nossa constante protetora.

 

 

 

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Fonte:  cnbb
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